segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Fascismo italiano

A Itália entrou na primeira guerra mundial em 1915 e fazia parte dos Aliados juntamente com a Alemanha e a Áustria-Hungria, porém assim não se sucedeu pois a Inglaterra e a França prometeram-lhe colónias em África, o que fez com que a Itália entrasse em guerra com os Aliados. No entanto, tal promessa não foi cumprida, o que os fez ficar insatisfeitos com o Tratado de Versalhes, um dos acordos de paz. A grave crise económica vivida no pós guerra e a crise de 1929, que veio agravar toda a situação de descontentamento, proporcionou um regime ditatorial, de seu nome Fascismo.
Visto que o governo liberal se demonstrava incapaz de solucionar todos estes problemas, a população começou a ficar agitada, realizando greves, revoltas e manifestações contra o governo. As camadas mais baixas (operários e camponeses) viam na Rússia comunista um exemplo a seguir para acabar com toda esta situação, porém, as camadas mais altas (burguesia e classe média e alta), sentindo-se ameaçadas com este pensamento bolchevista, apoiaram-se no Partido Nacional Fascista, criado em 1921 por Benito Mussolini.
Este partido queria demonstrar a fraqueza do Governo liberal, sendo que se apontavam como os únicos defensores da ordem. Foi neste contexto que Mussolini e os fascistas realizaram, a 30 de outubro de 1922, a Marcha sobre Roma, que levou à nomeação de Mussolini para primeiro ministro pelo rei Vitor Emanuel III. Em 1924, realizaram-se eleições legislativas, onde o Partido Nacional Fascista acaba por sair vitorioso através do recurso à fraude e à intimidação. Em 1925, Mussolini recebe o título de chefe de governo, primeiro ministro e de secretário de Estado
Chegado ao poder, em 1925, Mussolini elimina o Estado Democrático e implanta um Estado totalitário na Itália. Assim, o governo de Mussolini torna-se numa ditadura onde todo o poder fica concentrado nas mãos de Mussolini e todas as organizações que não fossem fascistas eram consideradas ilegais.

                                                                Marcha sobre Roma


Caraterísticas dos regimes fascistas

Totalitarismo - o sistema fascista concentrava poderes totais nas mãos do líder de governo, onde este líder podia tomar qualquer tipo de decisão ou decretar leis sem consultar políticos ou representantes da sociedade.

Nacionalismo - entre os fascistas era a ideologia baseada na ideia de que só o que é do país tem valor, uma valorização extrema da cultura do próprio país em detrimento das outras, que são consideradas inferiores.

Antissocialismo - os fascistas defendiam amplamente o capitalismo, tanto que obtiveram apoio político e financeiro de banqueiros, ricos comerciantes e industriais, e o socialismo defendia a expressão das classes sociais, enquanto que o fascismo dizia que isto dividia uma Nação e enfraquecia o Estado.

Antiparlamentares - rejeição da pluralidade de partidos políticos, encarados como responsáveis pelo enfraquecimento nacional

Antiliberais e antidemocráticos – pois a democracia e o liberalismo defendiam primeiramente os interesses do indivíduo, enquanto que o fascismo punha os interesses da Nação acima dos do indivíduo.

Corporativismo – era a sua forma de organização socioeconómica que aceita a propriedade privada, mas afirma necessária uma intervenção do Estado.

Culto do chefe – eram elevados à categoria de herói, era ele que simbolizava o Estado e guiava os seus destinos, assim sendo, devia de ser seguido e tinham que lhe prestar culto.



Militarismo - altos investimentos na produção de armas e equipamentos de guerra e fortalecimento das forças armadas como forma de ganhar poder entre as outras nações. Os jovens eram treinados e preparados fisicamente desde cedo, logo aos 4 anos ingressavam nos Filhos da Loba, dos 8 aos 14 faziam parte dos Balillas, aos 14 eram vanguardistas e os 18 entravam nas Juventudes Fascistas. Nestas organizações os jovens aprendiam o culto do Estado e do chefe, o amor pelo desporto e pela guerra e o desprezo pelos valores intelectuais.





Expansionismo - Necessidade de alargamento do espaço territorial. Exaltação das glórias do passado (Roma antiga)

Propaganda - os líderes fascistas usavam os meios de comunicação (rádios, cinema, revistas e jornais) para divulgarem as suas ideologias, para controlarem, mais facilmente, as mentes e as vontades e para promover o culto do chefe. O Ministério da Imprensa e da Propaganda controlou as publicações, a rádio e o cinema.

Censura - usavam este meio para castigar qualquer tipo de crítica aos seus governos. Nenhuma notícia ou ideia, contrária ao sistema, poderia ser veiculada em jornais, revistas, rádio ou cinema. Aqueles que arriscavam criticar o governo eram presos e até condenados a morte, para isto, existiam os esquadristas, reconhecidos como milícias armadas do partido, que tinham de vigiar, denunciar e reprimir qualquer ato conspiratório. Com idênticas funções havia também a polícia política apelidada de Organização de Vigilância e Repressão do Antifascismo (OVRA)

                                                                     OVRA



Autarcia – política económica intervencionista e nacionalista que propunha a autossuficiência económica, a partir do desenvolvimento da produção interna e da redução das importações. Teve particular relevância no controlo da economia pelo enquadramento de todas as atividades laborais nas corporações. Houve um lançamento de amplas campanhas de produção envolvidas por grandes manifestações de propaganda, onde os trabalhadores eram encorajados a trabalhar intensamente de forma a conseguir altos níveis de produtividade e a construção de grandes obras públicas. As atividades industriais e comerciais passaram também por um forte controlo do Estado com o lançamento de programas de industrialização e de controlo do volume das exportações e importações.

                                                "Concurso nacional para a vitória                                                                                               do grão"

http://noseahistoria.wordpress.com/2013/11/11/as-opcoes-totalitarias/ (um blog com um esquema sobre o fascismo e o nazismo, que falarei mais à frente)

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